Por G1 Ribeirão Preto e Franca

Diretor do Departamento de Polícia Judiciária São Paulo Interior (Deinter-3), o delegado João Osinski Junior disse que o ataque à empresa de transporte de valores Brink’s, em Ribeirão Preto (SP), foi planejado pela mesma quadrilha que atuou no mega-assalto à Prosegur na cidade, há dois anos.

“São as mesmas cabeças que organizam e planejam esse tipo de roubo. O que a gente observa é que são pequenas células que são recrutadas dependendo da situação. São várias células diferenciadas, como se fossem células terroristas, e uma não conhece a outra”, afirmou.

Osinski Junior explicou que as células são grupos menores dentro da quadrilha, responsáveis por ações específicas, como providenciar os veículos que serão usados nos crimes, elaborar a logística de hospedagem e fuga, evitar que a polícia se aproxime do alvo, entre outros.

“Naquele caso que tivemos em Ciudad del Este, os membros da quadrilha eram os mesmos que haviam praticado do roubo da Prosegur, em Ribeirão Preto, e os mesmos que praticaram crimes semelhantes em Santos e Campinas”, detalhou.

Em mega-assalto, quadrilha fugiu com R$ 51 milhões da Prosegur em Ribeirão Preto — Foto: Paulo Souza/EPTV/ArquivoEm mega-assalto, quadrilha fugiu com R$ 51 milhões da Prosegur em Ribeirão Preto — Foto: Paulo Souza/EPTV/Arquivo

Em mega-assalto, quadrilha fugiu com R$ 51 milhões da Prosegur em Ribeirão Preto — Foto: Paulo Souza/EPTV/Arquivo

Oito brasileiros foram condenados pela Justiça Federal por envolvimento no mega-assalto à Prosegur em Ciudad del Este, no Paraguai, em 24 de abril do ano passado. Um policial que fazia a segurança da empresa foi morto pelos ladrões.

O delegado também disse suspeitar que Diego Mouro Capistrano – considerado um dos líderes do grupo e que dirigiu o caminhão usado na fuga e no transporte dos R$ 51,2 milhões roubados da Prosegur – agiu, mesmo que indiretamente, no ataque à Brink’s.

“Com certeza, ele faz parte da cúpula dessa organização. A última informação que a gente tem é que ele estava em território paraguaio, em virtude de constar com três mandados de prisão. Ele vem arquitetando esse tipo de crime não só no Brasil, como no exterior”, afirmou.

Prédio da Prosegur foi destruído após mega-assalto no Paraguai — Foto: AP Foto/Mariana Ladaga/Diario ABC Color/ArquivoPrédio da Prosegur foi destruído após mega-assalto no Paraguai — Foto: AP Foto/Mariana Ladaga/Diario ABC Color/Arquivo

Prédio da Prosegur foi destruído após mega-assalto no Paraguai — Foto: AP Foto/Mariana Ladaga/Diario ABC Color/Arquivo

Entre os cerca de 40 envolvidos no mega-assalto à Prosegur, seis foram presos: dois em Ribeirão Pretoum em Atibaia (SP) e outro na capital paulista, e mais dois em um resort em Rio Quente (GO). Ao todo, a Polícia Civil recuperou R$ 194 mil, armamento e munição.

Após o crime, a Prosegur mudou a unidade – que ficava localizada na Avenida Saudade, nos Campos Elíseos – para o bairro Lagoinha. Atualmente, o prédio da transportadora de valores fica a 1,5 quilômetro da Brink’s, alvo do ataque na madrugada de segunda-feira (29).

Empresa de valores Brink's foi atacada por quadrilha armada em Ribeirão Preto — Foto: Alexandre Sá/EPTVEmpresa de valores Brink's foi atacada por quadrilha armada em Ribeirão Preto — Foto: Alexandre Sá/EPTV

Empresa de valores Brink’s foi atacada por quadrilha armada em Ribeirão Preto — Foto: Alexandre Sá/EPTV

Investigação

Osinski Junior já havia afirmado que as armas apreendidas em um terreno em Hortolândia (SP) foram usadas no ataque à Brink’s. O delegado também suspeita que o carro blindado abandonado na Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), em Campinas (SP), tenha ligação com o crime.

A Polícia Militar apreendeu armamento de guerra com parte da quadrilha. Segundo o coronel da PM Carlos Alberto Machado, dois fuzis, um AK-47, de fabricação russa, e um Colt M4, norte-americano, estavam com dois olheiros do grupo.

Munição apreendida com integrantes da quadrilha que atacou a Brink's em Ribeirão Preto — Foto: Reprodução/EPTV

Munição apreendida com integrantes da quadrilha que atacou a Brink’s em Ribeirão Preto — Foto: Reprodução/EPTV

Suspeito de participar do ataque, Fábio Donner Silva Martins, de 32 anos, morreu baleado. Outros três homens foram detidos, sendo um deles ferido. O trio acabou sendo liberado por falta de provas. Ainda de acordo com a PM, o dinheiro não foi levado.

Um homem que fazia dupla com Martins e tentava evitar a aproximação da PM à empresa foi baleado, mas acabou socorrido por comparsas e conseguiu escapar. Uma sacola deixada no local guardava munição, armas e máscaras antigás.

Armas apreendidas pela Polícia Militar enterradas em Hortolândia — Foto: Reprodução/EPTV

Armas apreendidas pela Polícia Militar enterradas em Hortolândia — Foto: Reprodução/EPTV

As primeiras explosões na Brink’s foram registradas por volta de 3h. A quadrilha rendeu o frentista de um posto de combustível vizinho da empresa de transporte de valores, que foi mantido refém durante toda a ação. Em seguida, os ladrões iniciaram as detonações.

A Polícia Militar realizou um cerco e o tiroteio entre assaltantes e policiais durou cerca de duas horas. Durante a fuga, dois caminhões foram deixados para trás em Ribeirão e outros dez carros, blindados e sem placas, abandonados em um canavial na região de Serra Azul (SP).

Relatos de moradores dão conta que foram cerca de nove explosões.Os barulhos das explosões foram ouvidos em diferentes regiões da cidade, como Vila Tibério, Vila Seixas, Centro, Jardim Paulista e Jardim Nova Aliança.

Ladrão armado com fuzil durante ataque à empresa de valores Brink's em Ribeirão Preto — Foto: Divulgação

Ladrão armado com fuzil durante ataque à empresa de valores Brink’s em Ribeirão Preto — Foto: Divulgação

Os PMs tiveram dificuldade em avançar com o cerco pelas ruas nas imediações, uma vez que a quadrilha armada com fuzis se dividiu em pequenos grupos para impedir a aproximação. Apesar da chegada da PM ao local, os criminosos ainda fizeram mais quatro explosões.

Em nota, a assessoria da Brink’s informou que “está à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos dos fatos” e que os funcionários que estavam no local “já receberam a devida assistência e passam bem”.

Moradores registraram tiroteio durante ataque à empresa de transporte de valores Brink’s — Foto: Divulgação